A primeira vez que eu fiz um sessão de tow in, foi no Hawaii, com o Romeu Bruno, na temporada de ondas, no inverno de 2000.
Saímos com o jet na frente da casa do Rominho, entre Left Over’s e Jocko’s.
O Romeu me deu os toques básicos na areia, como levar o jet até a praia, tirar da carreta,cuidar para o cabo ficar sempre longe da turbina, sair com o jet da beira com ondas no quebra côco ,etc. …
O start de toda a operação deve ser sincronizada com vários os vários elementos funcionando ao mesmo tempo.
Então a relação dos dois, surfistas/pilotos deve ser objetivada em 100% de acerto, devendo ter as ações , e antes de tudo , visões sicronizadas dos dois com todos os elementos: jet, ondas, sled, cabo, fundo, pranchas, outras embarcações e pessoas que possam estar na área de ação e segurança do jet.
Navegação no sled até o outside, furando as ondas, e a primeira saída esquiando é lógico, foram uma energia intensa já de saída.
Todo mundo que é puxado pelo jet no sled sabe do que eu estou falando. É uma puta pressão, você tem que segurar firme nas alças do sled e confiar no piloto, que vai furar umas ondas com você deitado atrás, numa velocidade boa o suficiente pra chegar no outside.
É uma sequência de impactos que você sofre, que podem facilmente lesionar sua cabeça, pescoço, costas e lombar, pernas, dedos, joelhos ,se a pessoa for desavisada, com um comportamento mais frágil e desatento.
Aprendi a esquiar com uns 10 anos então ser rebocado não seria novidade, a novidade era a de surfar uma onda, já na velocidade e de pé ,em cima da prancha com alças.
Pra sair esquiando não senti dificuldades, mas na hora de surfar foi muito estranho chegar a milhão numa onda pequena, aquele dia o mar não estava grande devia ter 1,5 liso .
Não consegui fazer nenhuma curva, mas também não caí. O Romeu me colocou em várias ondinhas e fui me soltando ,aprendendo e facilitando o resgate, melhorando o drive na primeira manobra, curtindo o surf numa velocidade que eu não havia experimentado .
Depois aquela operação de tirar o jet pela praia, lavar, adoçar, deixar tudo limpo e pronto pra próxima.
Tudo tranquilo, parecendo relativamente fácil, cabeça feita, e mais um dia de Hawaii que se fecha em grande estilo, com umas geladas, uma boa janta e cama.
Aquela acordadinha básica pr air no banheiro no meio da noite, acordo, levanto, e caio seco no chão.
Voltei pra cama me arrastando, e depois fui pro banheiro me arrastando.
Parecia que todas as minhas dobradiças estavam emperradas, enferrujadas, o meu corpo doía todo, e aquela travada na lombar.
Aquela dorzinha do “pinçástico” que pinça o siático. Quem já sentiu sabe.
Dia seguinte inútil, todo duro, as dores foram sumindo com os dias e tudo certo.
Depois no Brasil eu fui pro Cardoso com o Monster e o Capilé pra filmar e o mar estava enorme e perfeito.
Eu nunca tinha ido pro Farol e o Cardoso tinha uns 4 metros bombando com vento oeste que é terral .
Depois de filmar os caras eu fiz uma session com o Capilé, ele me puxou e pegamos umas seis ou sete ondas da série, e essa sim foi uma sessão de surf animal.
Com uma prancha emprestada do Capilé que é goofy, eu pude sentir a navegação no marzão, a esquiada e a lançada nas marolas antes de começarem a quebrar. Dar um drive num marolão oceânico é para mim uma das partes mais gostosas do Tow Surf, e já deu pra sentir nessa segunda session , além de umas boas rasgadas e um snap que eu acertei, que segundo o Capilé que estava acompanhando do braço da onda , deu pr aver as três quilhas, de lado no ar, e a minha aterrisagem na transição da onda, e a sequência de manobras naquela onda quilométrica.
Dia show no Farol, almojanta no final de tarde num restaurante perto do farol, dormi em garopaba nesta noite que foi gelada.
No dia seguinte acordei , doído, mas nada exagerado, segurei de noite e de manhã com o dorflex, tomei um café e entrei no carro para voltar para Floripa.
Depois de uns 10 minutos na BR, comecei a sentir uma dor na lombar , que foi crescendo absurdamente, e pedi pro Amassardo parar a picape dele, que minhas costas estavam travando, e eu precisava urgente, alongar, no acostamento mesmo.
Alonguei, tomei Voltarem, voltamos pra Floripa e depois para São Paulo.
Resultado, semana toda de lado em São Paulo, sem conseguir andar direito, e fui pra Ubatuba com a Paty e não surfei, só fiquei tomando remédio e tentando alongar.
São dez anos de tow in com uma frequência muito irregular, e durante uns 7 deles eu saí das diárias de tow com dores na lombar, pelo simples fato de não saber alongar, muito menos respirar de uma forma que a musculatura abdominal pudesse desenvolver seu potencial.
Não vou nem falar da falta de preparo físico, que sempre andou perto do limite do inaceitável, para o surf em condições extremas.
Mas teve um alongamento que começou a aliviar a tensão e pressão que eu sentia, uma dor que mostrava o quanto o fêmur, bacia e coluna estavam desalinhados e desajustados, causando uma lesão recorrente no ponto que sempre recebeu a maior carga e no meu caso o menos cuidado do corpo.
Aprendi esse alongamento com um professor de yoga lá na piscina do Pacaembú. Conheci o cara, contei pra ele o lance da lombar ,ele me ensinou esse alongamento, e sumiu, nunca mais vi o cara .
O alongamento salvou , mas não resolveu, e mesmo mantendo uma regularidade na natação, a lombar sempre aparecia incomodando, principalmente porquê estou acima do peso faz mais de 10 anos.
Tentei algumas vezes seguir algum treinamento em academias, mas nem a estrutura nem a proximidade foram suficientes para que eu tivesse vontade de me dedicar.
Quando tomei coragem e fui fazer a avaliação no Centro Articular com o Rodrigo, e ele me recomendou uma série de estímulos que eu teria que dar na minha vida em diversos setores , e um deles que é o princípio da linha de força, me despertou uma consciência que eu nunca havia experimentado… continuo no próximo post.
Aloha
Flávio Boca Oliveira
